Narrativa e memória na Amazônia de Dalcídio Jurandir
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Palavras-chave

Dalcídio Jurandir
narrativa
memória
Belém
Amazônia

Como Citar

NUNES, P. J. M.; MAIA, M. O.; CHEMELO, T. O. Narrativa e memória na Amazônia de Dalcídio Jurandir. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], n. 34, p. 54–64, 2021. DOI: 10.24261/2183-816x0434. Disponível em: https://www.revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/561. Acesso em: 21 abr. 2026.

Resumo

A partir do conceito cultural e linguístico de lusografia, de Jean-Michel Massa, que reitera a diversidade de enunciados em uma única – embora diversificada – língua portuguesa, e das ideias de memória pessoal e memória histórica da região amazônica, o presente estudo pretende desvendar, através da análise dos romances Belém do Grão-Pará (1960) e Passagem dos Inocentes (1936), ambos de Dalcídio Jurandir, a sociedade paraense da primeira metade do século XX, já que o citado autor testemunhou esse mundo e construiu nos seus romances uma interpretação da sua experiência testemunhal, vista a partir das margens, das periferias, com os pés bem firmes no chão. Para demonstrar essa preocupação do autor em retratar as minorias, nos debruçamos sobre a análise da personagem "Mãe Ciana", de Belém do Grão-Pará, que, embora aparentemente secundária na trama, constitui uma perfeita alegoria étnicocultural da Amazônia – fruto da mistura envolvente entre nativos ameríndios e negros filhos da diáspora africana no Norte do Brasil. Dalcídio, autor etnógrafo, tem como perspectiva principal a de romancista, embora também chame a atenção a sua prática jornalística, que brilhantemente faz par  com a outra, a de criador de romances. Nesse estudo, ressaltamos que o autor utiliza, além de sua memória pessoal, a memória histórica da região amazônica baseada em pesquisas e em testemunhos de amigos e parentes, fatos e pessoas que viveram em Belém na primeira metade do século XX, transformando os seus romances em verdadeiros "lugares de memória", emaranhados à memória coletiva dos sujeitos amazônicos, priorizando os mais pobres, que ganham o leitor na mesma forma de identificação e significados. Dalcídio percebia a história como um campo de lutas e sua narrativa compromissada com a maioria explorada demonstra isso, escrevendo um romance politico capaz de contribuir com a transformação do mundo.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0434
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Copyright (c) 2021 Paulo Jorge Martins Nunes, Maíra Oliveira Maia, Thainá Oliveira Chemelo