Resumo
O presente artigo propõe uma análise da obra Metade cara, metade máscara (2018), de Eliane Potiguara, partindo da indagação de Gabriela Nouzeilles (2011) sobre “os restos moribundos do político” em sociedades marcadas pela violência e negligência do Estado. Buscamos compreender como a literatura de Potiguara articula memória, identidade e resistência, com ênfase na experiência feminina indígena. A pesquisa se ancora em perspectivas teóricas de Benjamin (1994), Quijano (2005), Lugones (2020), entre outros, articulando literatura, história e política. Conclui-se que a obra realiza um trabalho de resgate da memória coletiva indígena, utilizando história e ficção, reafirma a identidade das mulheres indígenas a partir da reconexão com a ancestralidade e propõe uma utopia de justiça social inclusiva.
Referências
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