Perspectiva afro-fabulada, inscrição da memória pós-colonial
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Palabras clave

Perspectiva afro-fabulada
Narrador pós-colonial-colonial
Pepetela
Memória pós-colonial
Contranarrativa

Cómo citar

RODRIGUES DOS SANTOS, J. Perspectiva afro-fabulada, inscrição da memória pós-colonial. Veredas: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, [S. l.], v. 45, p. 36–53, 2026. DOI: 10.24261/2183-816x0345. Disponível em: https://www.revistaveredas.org/index.php/ver/article/view/1060. Acesso em: 22 may. 2026.

Resumen

Este artigo analisa Sua Excelência, de Corpo Presente, de Pepetela (2020), focando em como memória e identidade são construídas. A partir da condição liminar do narrador-ditador (“Estou morto”), propõe-se o conceito de “perspectiva afro-fabulada” como o método narrativo que dá voz à sua identidade cindida. Argumenta-se que essa fratura revela o “narrador pós-colonial-colonial”: um sujeito que, embora produto da independência, reproduz as lógicas de poder coloniais. A análise estrutura-se a partir das condições de enunciação (o “espaço-encruzilhado” e o “tempo espiralar”) e da “subjetividade criadora” (a fabulação). Demonstra-se como essa fabulação expõe as duas faces do narrador, o “Eu Pós-colonial” (crítico) e o “Eu Colonial” (autoritário), e funciona como uma “política da memória” para disputar o legado pós-colonial.

https://doi.org/10.24261/2183-816x0345
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