Resumen
Este artigo analisa Sua Excelência, de Corpo Presente, de Pepetela (2020), focando em como memória e identidade são construídas. A partir da condição liminar do narrador-ditador (“Estou morto”), propõe-se o conceito de “perspectiva afro-fabulada” como o método narrativo que dá voz à sua identidade cindida. Argumenta-se que essa fratura revela o “narrador pós-colonial-colonial”: um sujeito que, embora produto da independência, reproduz as lógicas de poder coloniais. A análise estrutura-se a partir das condições de enunciação (o “espaço-encruzilhado” e o “tempo espiralar”) e da “subjetividade criadora” (a fabulação). Demonstra-se como essa fabulação expõe as duas faces do narrador, o “Eu Pós-colonial” (crítico) e o “Eu Colonial” (autoritário), e funciona como uma “política da memória” para disputar o legado pós-colonial.
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