Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar de que maneira a poesia de Tony Tcheka, especialmente em Desesperança no Chão de Medo e Dor (2015), representa a identidade guineense por meio da memória dos conflitos políticos recentes. A metodologia se baseia em análise textual qualitativa, com leitura crítica do corpus e articulação com referenciais teóricos sobre identidade, linguagem e testemunho. O estudo dialoga com Stuart Hall, Zygmunt Bauman, Seligmann-Silva, Moema Augel e Campato Jr., cujas contribuições permitem compreender a relação entre memória, trauma e construção identitária. Ao final, conclui-se que a poesia de Tcheka transforma vivências de dor, medo e instabilidade em narrativa de resistência, reafirmando a guineendade como memória coletiva e força política.
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